As orientações dos pediatras são baseadas em pesquisas da Neurociência

Com o isolamento imposto pela pandemia da covid-19, mães e pais estão lidando 24 horas com os filhos e, muitas vezes, estão sobrecarregados com o trabalho em home office. Isso sem falar das atividades domésticas e das atividades escolares das crianças.

Na perspectiva de auxiliar os pais e as mães, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou orientações práticas para os responsáveis lidarem com as crianças e adolescentes durante a pandemia, baseadas em pesquisas da Neurociência e em outros estudos científicos recentes.

“Os filhos não estão indo às escolas. Por isso, a tarefa de cuidar deles passou a ser em tempo integral. Todo esse novo contexto acende um importante sinal de alerta para o estresse tóxico. Se os pilares de saúde dos filhos não forem respeitados, a tensão diária e elevada, gerada pela situação de pandemia, pode acarretar diferentes transtornos”, advertiu a médica Liubiana Arantes de Araújo, presidente do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da SBP.

A pediatra explica que o estresse tóxico se configura quando as constantes situações de estresse e adversidades vividas na infância determinam uma resposta fisiológica de elevação de determinados hormônios no corpo, a exemplo do cortisol e da adrenalina. “Tudo isso apresenta consequência de sobrecarga do sistema cardiovascular e riscos à construção da arquitetura cerebral das crianças”.

Nessa perspectiva, ela explica que o estresse tóxico pode gerar várias consequências, em curto prazo, como transtornos do sono, irritabilidade e piora da imunidade. “Em médio e longo prazo, há a possibilidade de maior prevalência para atrasos no desenvolvimento, transtorno de ansiedade, depressão, queda no rendimento escolar e estilo de vida pouco saudável na vida adulta”.

Falar com o pediatra – Para a médica Liubiana de Araújo, é importante os pais estarem atentos às recomendações da SBP. “Caso seja necessário, os pais devem entrar em contato com o pediatra da família para tirar dúvidas, mesmo que à distância, e evitar efeitos negativos na saúde e bem-estar das crianças e adolescentes”, afirmou.

 

Conheça as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para os pais sobre a pandemia e o isolamento social:

 

1_Linguagem simples sobre a doença - É necessário conversar sobre a situação atual, com linguagem simples e adequada a cada idade. As informações devem ser transmitidas de forma tranquila para evitar medo, ansiedade e elevação do estresse. Importante ressaltar que as medidas atuais são formas de prevenção e a expectativa é de bons desfechos.

2_Ambiente acolhedor - Os pais devem fornecer condições, a partir de um ambiente acolhedor e de apoio mútuo, para que os filhos expressem seus sentimentos e suas dúvidas.

3_Mãe e/ou pai nos papéis de referência para os filhos - Nas orientações, a SBP sugere que os pais assumam o papel de referência, exercendo eles mesmos o padrão de comportamento que esperam dos filhos.

4_Planejamento e agenda - É fundamental realizar o planejamento da agenda dos filhos, sempre em comum acordo com as crianças, e incentivar o equilíbrio de horários para manter em dia as atividades de estudo e leitura, exercícios físicos, sono e ócio criativo.

5_Não é férias - Além disso, a entidade reforça a necessidade de explicar para as crianças e adolescentes que o momento não é um período de férias, mas uma situação emergencial e transitória de reorganização social. Desse modo, todas as atividades cotidianas devem ser cumpridas.

6_Definir atividades prioritárias - Os adultos devem discutir em conjunto as atividades prioritárias do dia a dia e estabelecer horários para realizar as tarefas e obrigações. Os afazeres devem ser preferencialmente intercalados de forma que as crianças recebam atenção e permaneçam sob supervisão, quando necessário.

7_Usar a tecnologia a favor de todos. Estimular os avós a terem conversas, por videoconferência, em clima alegre, com momentos de descontração. Visualizar os avós em boa saúde pode tranquilizar as crianças.

8_Limite com telas de celular, notebooks ou tablets - O tempo de tela deve respeitar os limites definidos pelos pediatras para cada cada faixa etária. Evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente.

9_Tarefas domésticas para crianças - Inserir as crianças e os adolescentes nas tarefas domésticas respeitando a capacidade de acordo com a idade de cada um.

10_Refeições - Incluir também, na agenda, momentos para que a família possa estar unida de forma alegre e prazerosa. Se possível, realizar as refeições com todos juntos.

11_Atividades físicas - Intercalar períodos de atividades físicas dentro do lar em mais de um horário do dia e, se possível, fazer as atividades em conjunto, com a participação de pais e filhos.

12_Criatividade - Estimule a criatividade: criar circuitos com travesseiros e garrafas plásticas; pular corda; dançar; artes marciais, dentre outros.

13_Higienização - Os pais devem ensinar como higienizar corretamente as mãos, proteger o rosto ao espirrar ou tossir e evitar o contato físico. Esses cuidados devem ser um hábito diário, mesmo após a pandemia acabar. As orientações podem ser fornecidas por meio de ferramentas lúdicas, como músicas, leituras e brincadeiras.

14_Atualização dos pais sobre a covid-19 – É importante reservar um a dois momentos do dia para que os adultos possam se atualizar em relação às informações, sem expor as crianças a conteúdos inadequados.

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Redação: Andréa Pessoa/ @mandalaconsultoria
Arte: Alexandre Oliveira / banco: Freepik

 

 
 

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